segunda-feira, 23 de março de 2009

A ação de Domingos Jorge Velho


Após várias investidas relativamente infrutíferas contra Palmares, o governador e Capitão-general da capitania de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, contratou o bandeirante Domingos Jorge Velho e o Capitão-mor Bernardo Vieira de Melo para erradicar de vez a ameaça dos escravos fugitivos na região.O Quilombo passou a ser atacado pelas forças do bandeirante e, mesmo experientes na guerra de extermínio, tiveram grandes dificuldades em vencer as táticas dos quilombolas, mais elaboradas que a dos indígenas com quem haviam tido contato. Adicionalmente, tiveram problemas para contornar a inimizade surgida com os colonos da região, vítimas de saques dos bandeirantes em diversas ocasiões.Em janeiro de 1694, após um ataque frustrado, as forças do bandeirante iniciaram uma empreitada vitoriosa, com um contingente de seis mil homens, bem armados e municiados, inclusive com artilharia. A capital de Palmares, Macaco, foi destruída e Zumbi ferido, mas mesmo assim ele conseguiu fugir.Um quilombola, Antônio Soares, foi capturado e, Domingos Jorge Velho disse que ele seria libertado em troca da revelação do esconderijo do líder, Zumbi. Soares contou a eles e Zumbi foi surpreendido pelo Capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, no dia 20 de novembro de 1695.Zumbi teve a cabeça cortada, salgada e levada, com o pênis dentro da boca ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta no alto de um mastro em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi e servir de exemplo a outros escravos.Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."Sem a liderança militar de Zumbi, por volta do ano de 1710, o Quilombo desfez-se por completo.


QUILOMBOLAS DOS PALMARES

Antecedentes
As primeiras referências a um Quilombo na região remontam a 1580, formado por escravos fugitivos de engenhos das Capitanias de Pernambuco e da Bahia: iniciava-se o período denominado, no Brasil, como União Ibérica.Em fins do século XVI, o Quilombo ocupava uma vasta área coberta de palmeiras, que se estendia do cabo de Santo Agostinho ao rio São Francisco. Um século mais tarde, esse território encontrava-se reduzido à região de Una e Serinhaém, em Pernambuco, Porto Calvo e São Francisco, atual Penedo, em Alagoas.
O apogeuÀ época das Invasões holandesas do Brasil (1624-1625 e 1630-1654), com a perturbação causada nas rotinas dos engenhos de açúcar, registrou-se um crescimento da população em Palmares, que passou a formar diversos núcleos de povoamento, conhecidos como mocambo. Os principais foram:Macaco, o maior, centro político do Quilombo, contando com cerca de 1.500 habitações, Subupira que centralizava as atividades militares, contando com cerca de 800 habitações, Zumbi e Tabocas.
Embora não se possa precisar o número de habitantes nos Palmares, de vez que a população flutuava ao sabor das conjunturas, historiadores estimam que, em 1670, alcançou cerca de vinte mil pessoas.Essa população sobrevivia graças à caça, à pesca, à coleta de frutas e à agricultura. Complementarmente, praticava o artesanato. Os excedentes eram comercializados com as populações vizinhas, de tal forma que colonos chegavam a alugar terras para plantio e a trocar alimentos por munição com os quilombolas.Pouco se sabe, também, acerca da organização política do Quilombo. Alguns supõem que se constituiu ali um verdadeiro Estado, nos moldes dos reinos africanos, sendo os diversos mocambos governados por oligarcas sob a chefia suprema de um líder. Outros apontam para a possibilidade de uma descentralização do poder entre os diferentes grupos, pertencentes às diversas etnias que formavam os núcleos de quilombos, que delegavam esse poder a lideranças militares conforme o seu prestígio.As mais famosas lideranças foram Ganga Zumba e seu sobrinho, Zumbi. Apesar disso, alguma forma de trabalho compulsório também foi praticada dentro do Quilombo, onde indígenas foram utilizados como escravos nas plantações.
A repressão
Com a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil, acentuou-se a carência de mão-de-obra para a retomada de produção dos engenhos de açúcar da região. Dado o elevado preço dos escravos africanos, os ataques a Palmares aumentaram, visando a recaptura de seus integrantes.A prosperidade de Palmares, por outro lado, atraía atenção e receio, e o governo colonial sentiu-se obrigado a tomar providências para afirmar o seu poder sobre a região. Em carta à Coroa Portuguesa, um Governador-geral reportou que os quilombos eram mais difíceis de vencer do que os holandeses.Foram necessárias, entretanto, cerca de dezoito expedições, organizadas desde o período de dominação holandesa, para erradicar definitivamente o Quilombo dos Palmares.No último quartel do século XVII, Fernão Carrilho ofereceu a Ganga Zumba, um líder que implementou táticas de guerrilha na defesa do território, um tratado de paz (1677). Por seus termos, era oferecida a liberdade aos nascidos no Quilombo, assim como terras inférteis na região de Cocaú. Grande parte dos quilombolas rejeitou os termos desse acordo, nitidamente desfavoráveis e, na disputa então surgida, Ganga Zumba foi envenenado, subindo ao poder o seu irmão, Ganga Zona, aliado dos portugueses. O acordo foi, desse modo, rompido, tendo os dissidentes se restabelecido em Palmares, sob a liderança de Zumbi.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quilombo_dos_Palmares

POVOADO MUQUÉM


A artesã palmarina IRINÉIA ROSA NUNES DA SILVA concorreu ao “PRÊMIO UNESCO DE ARTESANATO PARA AMÉRICA LATINA E CARIBE”.



Muquém é uma comunidade composta de remanescentes do Quilombo dos Palmares e fica localizada aos pés da Serra da Barriga aqui mesmo em União dos Palmares. O Muquém, com pouco mais que 20 hectares, abriga quase 500 pessoas, que vivem do corte da cana, da lavoura e da fabricação de panelas, potes e outros objetos de barros.O artesanato em barro tem sido a principal fonte de renda das famílias que habitam o povoado. Tradição passada ao longo das gerações, a arte de transformar barro em panelas, jarros e outros objetos de decoração se perpetua graças à dedicação dos mais velhos.Ninguém sabe ao certo a origem do nome "Muquém". Uns dizem ter sido um guerreiro de Palmares, outros, que significa, "terra do barro". No dicionário, moquém (com o) é uma grelha de varas usada para assar carne. Nas senzalas, os miúdos do boi eram assados no moquém para alimentar os escravos.A cerâmica foi a arte e a sobrevivência das mulheres do povoado. Durante décadas, a técnica de fazer pratos, moringas e panelas queimadas em fornos de barro alimentados a lenha foi passada de mãe para filha. A história da cerâmica perde-se no tempo.Estudiosos afirmam que os professores podem ter sido os índios que moravam em Palmares com os negros. A escavação arqueológica iniciada na Serra da Barriga mostrou que os quilombolas faziam potes, cachimbos e até urnas funerárias.A louça produzida pelas mulheres do Muquém é rústica, sem enfeites ou pinturas. É feita para ser usada na cozinha, no dia-a-dia, e por muito tempo foi o utensílio que a população das cidades próximas como União dos Palmares e Rocha Cavalcanti conheceu até a chegada das panelas de alumínio.A lenha começou a sumir na década de 40. Foi quando os usineiros tiraram o mato para começar os canaviais que hoje tomam conta da paisagem em torno do Muquém. Sobrou pouca coisa e a mata que existe hoje está além das possibilidades das louceiras do Muquém.Uma das principais festas do Muquém é a Reza de Maio. Todos os dias do mês as mulheres e homens vão de casa em casa rezando uma novena. Ninguém sabe contar quando começou, mas a história explica que é uma tradição escrava, criada nos engenhos.Muquém fica próximo ao RIO MUNDAÚ, o mesmo que os palmarinos usavam para entrar e sair da sua terra. A péssima condição da estrada dificulta o acesso ao local e faz do Muquém um lugar quase isolado, apesar de estar apenas a 5 km da cidade de União dos Palmares. O isolamento impede a divulgação da cultura local, especialmente da cerâmica, produzida da mesma forma que nos tempos coloniais.

JORGE LIMA


JORGE MATHEUS DE LIMA nasceu no dia 23 de abril de 1893, aqui mesmo em UNIÃO DOS PALMARES. Nessa mesma cidade, aprendeu as primeiras lições de leitura. Mudou-se para Maceió em 1902, com a mãe, o pai e os irmãos, lá estudou no colégio dos Maristas. Em 1909 foi morar em Salvador onde iniciou os estudos de medicina. Concluiu o curso no Rio de Janeiro em 1914, mas foi como poeta que projetou seu nome. Neste mesmo ano publicou o primeiro livro, “XIV ALEXANDRINOS”. Voltou para Maceió em 1915 onde se dedicou à medicina, além da literatura e da política. Nesse mesmo ano despontou como estrela de quinta grandeza na imprensa com sua poesia hoje mundialmente conhecida, “O ACENDEDOR DE LAMPIÕES", na qual “o príncipe dos poetas alagoanos” homenageia seus conterrâneos..Quando se mudou de Alagoas para o Rio de Janeiro, em 1930, montou um consultório na Cinelândia, transformado também em ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Reunia-se lá gente como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Nesse período publicou aproximadamente dez livros, sendo cinco de poesia. Também exerceu o cargo de deputado estadual, de 1918 a 1922. Com a Revolução de 1930 foi levado a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro..Em 1939 passou a dedicar-se também às artes plásticas, participando de algumas exposições. Em 1952, publicou seu livro mais importante, o épico “Invenção de Orfeu”. Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o “Arquivo da Palavra Falada” da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos da América..Faleceu no dia 15 de novembro de 1953 na cidade do Rio de Janeiro, deixando para a posteridade seus trabalhos literários, reconhecidos internacionalmente, de grande valor poético e cultural.

Maria Mariá



Sociedade Casa Cultural Maria Mariá de Castro Sarmento
Maria Mariá de Castro Sarmento foi uma palmarina ilustre que sempre defendeu a preservação do patrimônio histórico e cultural de sua cidade. Conhecida como dicionário ambulante, devido ao seu conhecimento da Língua Portuguesa, Maria Mariá foi professora, jornalista e historiadora.Nasceu aqui mesmo em União, na localidade do povoado da Usina Laginha, no dia 16 de junho de 1917, seu pai foi o tabelião Sílvio de Mendonça Sarmento e sua mãe Ernestina de Castro Sarmento. A professora ingressou no serviço público em 1943, estagiando no povoado da Fazenda Santo Antônio. Em 1944 foi nomeada diretora do Grupo Escolar Jorge de Lima.Em 1971, quando a principal igreja da cidade, construída toda em pedra pelos holandeses, foi destruída para dar lugar a outra de arquitetura mais moderna, a educadora fez um movimento de oposição e convocou toda a população para assistir à celebração da missa em sua própria residência, como um ato de repúdio à demolição da catedral.Entre seus feitos estão a criação da festa da mocidade que se transformou em tradição, o primeiro grupo de teatro amador da cidade e a festa do rei Momo. O espírito ousado de Mariá fez com que o governador Muniz Falcão a transferisse para a Escola Professor Loureiro, em Murici. Mariá comentava em seus artigos os fatos negativos do governo Falcão e, além disso, a professora jogava sinuca, tocava violão muito bem, vestia calça e saias curtas nos anos 50.Mas, a gota d’água para a transferência de Mariá para Murici foi uma foto em que a professora posava de maiô, um escândalo para a época. Os alunos de Mariá exigiram a volta dela e como forma de protesto não foram à escola durante três dias, até a professora retornar, sendo recepcionada na estação ferroviária ao espocar de foguetes e ao som de bandas de música.Mariá morreu solteira com 76 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 1993, no casarão de número 65 da Rua Correia de Oliveira. Até então, só os íntimos conheciam as raridades que ela colecionou ao longo de sua existência. Após sua morte, a residência foi transformada na Sociedade Casa Cultural Maria Mariá..
Fonte: PALMARINOS ILUSTRES (IN MEMORIAN) - Série Memórias de Nossa Terra, 2005. Paulo de Castro Sarmento Filho.

domingo, 8 de março de 2009



Zambo, Ferreira, Nena, Alysson, Erycson e família parabenizam o prefeito de União dos Palmares Dr. Areski Damara O. de Freitas Junior (KIL) pelo seu aniversario (09-03-2009)

Dia internacional da MULHER.